terça-feira, 7 de outubro de 2008

desvanecer.

Com tão pouco tempo de vida, começou a se dissolver. Sentia como se a cada dia, morresse uma parte de si. Como se a cada dia desaparecesse um motivo pra estar ali. Começou a sentir que cada parte do seu ser e seu viver estavam sendo sufocados, berrando para ir embora, para parar, para desaparecer, virar pó, virar nada.
Não que antes fosse alguma coisa, mas o pouco que restara de seu corpo e sua vida não agüentava mais estar ali, não agüentava mais o simples fato de existir. Pois seu existir era inútil, irrelevante e sufocante. Suplicava por saída, por final, por uma parada definitiva.
Escolheu por não tomar uma atitude. Esperaria até o tempo corroer tudo o que fizera e tudo o que lhe restara. Assistiria sua vida ir embora aos poucos sem avisar. Assim como uma pintura abandonada desbotando. Esperaria se dissolver lentamente, e esperaria até sentir seu último prazer se transformar em vazio. Esperaria sua mente e seu corpo sumirem aos poucos. Tudo o que fez e o que deixaria de fazer. O que viveu e o que não vai viver mais. Sentir tudo ao seu redor destruir quem é. Esperaria calmamente o seu final, o desvanecer.

2 comentários:

Tatá disse...

Texto forte, intenso!
Gostei =*

Pandora disse...

Feliz por teres "sumido". Que a felicidade agora dure mais..e mais..