quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Desavença

Eu sei como ela se sente, porque é o mesmo velho sentimento desgraçado. Se ela não estivesse tão dominada pela raiva que sente por mim, eu a abraçaria e diria que sim, que sei como ela se sente. Se ela me permitisse, eu usaria suas músicas pra falar por mim. Se ela me deixasse, eu mostraria que não é a única. Mostraria a ela meus poemas tristes e a ouviria dizer que eu roubei suas palavras. Saberia que foram palavras tão perfeitamente delas, que, me contando sua historia, eu poderia escrever a minha, usando o mesmo projeto, os mesmo argumentos. E arriscaria sentimentos - que de nada valeriam na minha dissertação. E conversaríamos sobre nossas loucuras, madrugadas sem dormir, cartas não enviadas, vontades não realizadas, e desejos distantes, que nem o quinto dos infernos chegaria perto. Se eu não fosse parte do motivo pelo qual seu conto de fadas fora destruído, aposto que seria sua fada madrinha, ou outro personagem qualquer que a acolheria em minha história. E se eu fundisse a minha e a dela, como a uma série de contos de sonhos tão inenarravelmente despedaçados, nem nos livros mais inocentes e traiçoeiros, iriam nos encontrar.

2 comentários:

Filipe disse...

pois é, a vida tem dessas coisas...
af

construtivo.

é estranho ver alguém com uma história semelhante à sua e com quem você não se dá bem.
af

beijo!

Diogo disse...

belo